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Crise bancária no Paraguai: Ueno Bank e renúncia do BC

O Banco Central do Paraguai assumiu o controle do Ueno Bank, levando à renúncia de sua presidência e a protestos em Assunção.

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Protesto em Assunção, Paraguai, com cidadãos cobrando liberação de depósitos do Ueno Bank.
Foto: Jovem Pan

Em resumo

Em 3 de novembro de 2026, o Banco Central do Paraguai assumiu o Ueno Bank por insolvência. A medida causou protestos em Assunção e levou à renúncia do presidente do órgão, Carlos Cavallo. O presidente Santiago Peña indicou Raúl Vera Bogado como novo chefe.

A crise bancária no Paraguai atingiu seu ponto mais crítico em 3 de novembro de 2026, quando o Banco Central assumiu o controle do Ueno Bank. A instituição, um dos maiores bancos digitais do país, foi declarada insolvente, o que significa que não tem capacidade de honrar seus compromissos financeiros. Essa ação imediata do regulador resultou no bloqueio de recursos e na suspensão de saques, afetando milhões de cidadãos e provocando reações políticas de alto nível, incluindo a renúncia do presidente do Banco Central.

Segundo o portal Jovem Pan, milhares de pessoas foram às ruas de Assunção na terça-feira (3) para exigir a liberação de seus depósitos. O Ueno Bank atendia quase metade dos 6,4 milhões de habitantes do Paraguai, o que torna a paralisação de suas operações um evento de impacto nacional profundo. A insolvência da instituição financeira não apenas bloqueou o acesso imediato ao dinheiro, mas também gerou uma instabilidade que ultrapassou o âmbito econômico e invadiu o cenário político do governo.

O que levou à intervenção do Banco Central

A decisão de intervir no Ueno Bank foi tomada após análises que confirmaram a insolvência da instituição. O Banco Central determinou o bloqueio de recursos públicos e das economias dos clientes para tentar preservar o que resta do patrimônio da empresa. Além disso, a autoridade monetária suspendeu temporariamente os saques de dinheiro de determinados fundos de investimentos vinculados ao banco.

Para mitigar o impacto nos poupadores, o órgão comunicou que fará um adiantamento da garantia do Fundo de Garantia de Depósitos. Esse adiantamento será de até 40 salários mínimos por cliente. No entanto, o valor final disponível para retirada sofrerá dedução de quaisquer dívidas pendentes que o depositante tenha com a instituição financeira.

Repercussão política e renúncias

O impacto da crise foi tão significativo que causou abalos na liderança do próprio regulador financeiro. Carlos Cavallo, presidente do Banco Central do Paraguai, renunciou ao cargo na terça-feira (3) em meio à turbulência. Outros dois diretores do órgão também deixaram seus postos no mesmo período.

Em resposta à vacância, o presidente Santiago Peña anunciou a indicação de novos nomes para conduzir a instituição. Nesta quarta-feira (4), o chefe de Estado informou que Raúl Vera Bogado, economista, foi indicado para chefiar o Banco Central. Além dele, Pedro Acosta foi indicado para integrar o Diretório do órgão. Essas mudanças visam restaurar a confiança e dar continuidade às medidas de estabilização do sistema financeiro.

Prisões e rebaixamento de nota

As consequências da crise não se limitaram ao âmbito administrativo. A Justiça do Paraguai determinou a prisão preventiva de oito suspeitos de envolvimento na gestão que levou o banco à insolvência. Entre os detidos estão Juan Manuel Gustale, presidente do Ueno Bank, e Federico Miguel Vázquez, diretor-executivo da instituição.

No mercado financeiro internacional, a reputação do banco foi severamente afetada. A agência de classificação de risco Fitch rebaixou as notas de crédito do Ueno Bank. Os ratings de inadimplência do emissor (IDR) de longo prazo em moeda estrangeira e local caíram de "BB" para "D" (default). Da mesma forma, os IDRs de curto prazo foram rebaixados de "B" para "D".

A Fitch também rebaixou o rating de suporte governamental (GSR) de "bb-" para "sem suporte". Em comunicado, a agência explicou que o rebaixamento para "D" reflete o entendimento de que o emissor entrou em processo de liquidação e encerrou suas operações normais. Essa mudança sinaliza que o mercado espera uma resolução judicial ou administrativa dos ativos e passivos do banco, em vez de uma recuperação operacional.

Impacto para os depositantes

Os cidadãos paraguaios foram diretamente atingidos pela paralisia das operações. A impossibilidade de acessar contas salariais e poupanças gerou filas e protestos nas agências e nas ruas da capital. O governo e o novo comando do Banco Central precisam agora garantir que o adiantamento do fundo de garantia seja processado de forma ágil para evitar um colapso social maior.

A situação destaca a fragilidade de instituições financeiras digitais quando não há uma gestão de risco eficaz. O caso do Ueno Bank serve como alerta para outros mercados da região, mostrando como a insolvência de um grande banco pode rapidamente se transformar em uma crise política e social.

Perguntas frequentes

Quem é o novo presidente do Banco Central do Paraguai?

O economista Raúl Vera Bogado foi indicado pelo presidente Santiago Peña para assumir a chefia do Banco Central, substituindo Carlos Cavallo, que renunciou em meio à crise.

O que aconteceu com o dinheiro dos clientes do Ueno Bank?

O Banco Central bloqueou os recursos e suspendeu saques temporários. No entanto, foi comunicado que haverá um adiantamento do Fundo de Garantia de Depósitos de até 40 salários mínimos, descontadas eventuais dívidas do cliente com o banco.

Por que o Ueno Bank foi colocado sob intervenção?

A instituição foi considerada insolvente, ou seja, sem capacidade de honrar seus compromissos financeiros. Essa condição levou o Banco Central a assumir o controle para gerir a liquidação e proteger o que resta dos ativos.