Extrema direita europeia se distancia de Trump
Líderes da extrema direita europeia começaram a reduzir a proximidade pública com Donald Trump após a derrota dos republicanos nas eleições de meio de mandato nos EUA. O novo tom aparece, sobretudo, nas críticas à guerra no Irã e ao impacto econômico do conflito.

Em resumo
Segundo a Agência Brasil, políticos de extrema direita da Europa passaram a se afastar publicamente de Donald Trump após a derrota dos republicanos nas eleições de meio de mandato dos EUA, em 5 de novembro de 2026. O principal motivo citado foi o desgaste causado pela guerra no Irã e pelo custo de vida, embora a maioria evite atacá-lo diretamente.
A extrema direita europeia começou a reduzir a proximidade pública com Donald Trump após a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, segundo a Agência Brasil. A mudança ocorre em meio às críticas ao impacto da guerra no Irã e ao custo de vida, dois temas que passaram a pesar na avaliação política de líderes que antes exibiam alinhamento com o presidente norte-americano.
O que mudou no discurso
De acordo com a Agência Brasil, muitos desses políticos haviam comemorado a ligação ideológica com Trump depois de sua vitória em 2024. Alguns chegaram a visitar Washington e também receberam apoio de Elon Musk, aliado bilionário do presidente dos EUA. Agora, o tom é mais cauteloso, com menos entusiasmo público e mais esforço para evitar associação direta com as decisões da Casa Branca.
A mudança não significa uma ruptura aberta. Em geral, os líderes citados na reportagem evitam criticar Trump nominalmente, mas passaram a atribuir a derrota republicana a fatores como a guerra no Irã, a inflação e a pressão sobre as famílias. O movimento mostra uma tentativa de preservar a base conservadora sem carregar o desgaste político do presidente norte-americano.
Jordan Bardella foi um dos primeiros a marcar distância
Jordan Bardella, líder do Reunião Nacional da França, foi citado como exemplo dessa virada. Segundo a Agência Brasil, ele afirmou que o segundo mandato de Trump foi menos isolacionista do que o primeiro, entre 2017 e 2021. Bardella também disse que a intervenção norte-americana no Irã trouxe “consequências muito graves” para as economias ao redor do mundo.
A fala chama atenção porque Bardella é apontado pela maioria das pesquisas como possível nome para formar o próximo governo francês. Nesse contexto, o líder busca equilibrar a afinidade ideológica com Trump e a necessidade de não parecer vinculado a decisões externas impopulares.
Alemanha, Itália e Espanha também ajustam o tom
Na Alemanha, Alice Weidel, colíder da Alternativa para a Alemanha (AfD), também relacionou a derrota republicana à guerra contra o Irã. Segundo a reportagem, ela disse ao site T-Online que Trump havia prometido não adotar uma política externa intervencionista, mas que essa promessa foi quebrada.
Na Itália, Matteo Salvini, líder da Liga e integrante da coalizão governista, afirmou que o resultado dos EUA foi influenciado pelas guerras, pelas tensões internacionais e pelo aumento do custo de vida. Ele disse esperar que a votação represente uma aceleração rumo ao fim dos conflitos e ao retorno da paz.
Ainda na Itália, Roberto Vannacci, ex-general que lidera o Futuro Nacional, afirmou à agência ANSA que Trump não correspondeu às expectativas. Vannacci, que já havia demonstrado admiração pela política “America First”, passou a criticar o presidente por não ter encerrado a guerra entre Rússia e Ucrânia e por ter iniciado o conflito com o Irã.
Na Espanha, Santiago Abascal, líder do Vox, foi ainda mais direto ao minimizar a relevância do tema para sua atuação política. Ele disse aos repórteres que estava “na Espanha e não em Michigan”, sinalizando distância do debate eleitoral norte-americano.
Por que Trump virou risco político
Segundo o analista Mujtaba Rahman, diretor-gerente da consultoria de risco político Eurasia Group, os líderes da extrema direita europeia estão se afastando de Trump por uma vantagem política óbvia. A explicação é que a popularidade do presidente norte-americano, especialmente em relação ao custo de vida, pode transformar um trunfo em risco eleitoral.
Rahman avaliou que esses líderes querem aproveitar o “impulso ideológico do trumpismo” sem serem associados ao “caos e à perturbação econômica” atribuídos à presidência de Trump. Na prática, isso significa manter a conexão simbólica com o eleitorado conservador, mas sem assumir o custo das decisões mais controversas da Casa Branca.
A reportagem da Agência Brasil também destaca que, para alguns aliados, o problema não é apenas político, mas de imagem. Se Trump continuar perdendo apoio ou acumulando desgaste, a associação com ele pode deixar de ser vantagem e se tornar um peso nas campanhas europeias.
Nem todos veem a derrota como definitiva
Apesar do novo distanciamento, nem todos os aliados europeus trataram o resultado como um revés irreversível para Trump. Dan Dungaciu, vice-presidente da Aliança para a Unificação dos Romenos, disse que falar em “morte política” do presidente é exagero.
Para ele, Trump continua exercendo influência, mesmo em um cenário de maior tensão entre Executivo e Congresso nos Estados Unidos. A avaliação mostra que, embora haja cautela crescente, parte da extrema direita ainda vê espaço para manter alguma identificação com o presidente norte-americano.
O peso da guerra no Irã na leitura política
Um dos pontos centrais da mudança de postura é a guerra no Irã. Na leitura de vários líderes citados pela Agência Brasil, o conflito teria contribuído para a derrota republicana por elevar a tensão internacional e pressionar a economia. Entre os efeitos mencionados estão o aumento dos preços da energia, a turbulência no mercado de ações e o impacto sobre o custo de vida.
Esse raciocínio ajuda a explicar por que o tema ganhou espaço entre partidos que, em outros momentos, celebraram a aproximação com Trump. Ao associar a guerra a dificuldades econômicas, esses líderes tentam se alinhar a uma preocupação concreta do eleitorado: a perda de poder de compra.
O que isso significa para a direita europeia
O movimento descrito pela Agência Brasil indica que a extrema direita europeia está em fase de recalibragem. Em vez de repetir a proximidade aberta com Trump, a prioridade agora parece ser proteger a própria imagem diante de eleitores sensíveis a inflação, conflitos internacionais e instabilidade econômica.
Isso não elimina a afinidade ideológica entre esses grupos. Mas mostra que, em política, a associação com líderes estrangeiros depende do momento e do custo eleitoral. Quando a conexão traz desgaste, o discurso muda rapidamente.
Perguntas frequentes
Por que a extrema direita europeia está se afastando de Trump?
Porque a vitória dos democratas nos EUA e o desgaste ligado à guerra no Irã e ao custo de vida tornaram a associação com Trump menos vantajosa politicamente, segundo a Agência Brasil.
Os líderes europeus passaram a criticar Trump diretamente?
Em geral, não. A maioria evitou atacar o presidente nominalmente, preferindo criticar a guerra no Irã e seus efeitos econômicos.
A relação entre Trump e a extrema direita europeia acabou?
Não há sinal de ruptura total. O que a reportagem mostra é um distanciamento calculado, para reduzir riscos eleitorais sem abandonar totalmente a afinidade ideológica.
Conclusão
A leitura que emerge da reportagem da Agência Brasil é clara: a extrema direita europeia está tentando manter os ganhos simbólicos da proximidade com Trump, mas sem carregar o ônus político das decisões que passaram a ser vistas como impopulares. A guerra no Irã e o custo de vida se tornaram os principais pontos de atrito nessa relação.



