Durigan nega congelamento de juros no Brasil
Dario Durigan afirma que não há discussão sobre congelar a taxa básica de juros e que não há agenda entre Lula e André Lara Resende.

Em resumo
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou em 2 de novembro de 2026 que o governo federal discuta propostas para congelar ou tabelar a taxa Selic. A afirmação surgiu após especulações sobre uma possível reunião entre o presidente Lula e o economista André Lara Resende, que também foi desmentida.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou nesta segunda-feira, 2 de novembro de 2026, que a equipe econômica do governo federal esteja discutindo propostas para congelar a taxa básica de juros, a Selic. A declaração veio para esclarecer rumores que ganharam força após a publicação de colunas de imprensa sobre possíveis encontros entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o economista André Lara Resende.
Segundo o portal Metrópoles, a negativa de Durigan é direta: "Propostas como tabelar os juros ou queimar reservas cambiais não estão em avaliação". O ministro reforçou que o governo não possui uma agenda marcada para receber Lara Resende nesta semana, desmentindo a hipótese de que o tema estaria sendo tratado em alto nível no Palácio do Planalto.
A origem das especulações
A repercussão sobre a possibilidade de intervenção no juro básico começou após uma nota divulgada no domingo, 1º de novembro, pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo. O texto informava que André Lara Resende, economista reconhecido como um dos "pais" do Plano Real, teria uma reunião com o presidente da República.
Lara Resende publicou um artigo na plataforma Substack no fim de setembro, no qual levantou a hipótese de que a redução dos juros poderia contribuir para a queda da inflação, embora alertasse para um possível repique no curto prazo. A leitura de parte do mercado financeiro foi que o economista levaria essa ideia diretamente ao presidente, o que poderia sinalizar uma intenção de reduzir a taxa básica de forma fora dos padrões convencionais do Banco Central.
Posicionamento do governo e do BNDES
Além de negar a existência de uma proposta de congelamento de juros, Dario Durigan esclareceu que não há compromisso oficial na agenda do presidente. "Vários economistas estão se colocando à disposição para dialogar com o presidente, mas não há nada agendado", afirmou o ministro da Fazenda.
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloisio Mercadante, também se manifestou sobre o assunto. Ele reforçou que não há reunião marcada e destacou sua posição pessoal contra a intervenção estatal na formação dos juros. "Eu nunca defendi tabelamento de juros. Não tenho absolutamente nenhuma identidade com isso", declarou Mercadante.
A agenda oficial do presidente Lula, disponível no site do Palácio do Planalto, não listava nenhum compromisso para o período citado. O presidente passou o feriado de Finados na Granja do Torto, em Brasília, residência oficial usada para descanso.
O papel da taxa Selic na economia
A taxa Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central do Brasil para controlar a inflação. Quando a taxa é elevada, o crédito fica mais caro, o que tende a reduzir a circulação de dinheiro e, consequentemente, a demanda por produtos e serviços, ajudando a baixar os preços. No entanto, juros altos também encarecem o financiamento para empresas, o que pode limitar o investimento e o crescimento econômico.
Para o governo federal, uma Selic elevada aumenta o custo do pagamento dos juros da dívida pública. De acordo com os dados citados na matéria de origem, a dívida bruta do governo geral (DBGG) atingiu 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em setembro deste ano, o que representa cerca de R$ 11,1 trilhões.
Próximos passos do Copom
A definição da taxa Selic é feita pelo Comitê de Política Monetária (Copom), formado pelos diretores do Banco Central. O colegiado se reúne na próxima terça-feira, 3 de novembro, para decidir se mantém, reduz ou eleva a taxa atual, que está em 13,75% ao ano.
O mercado financeiro aposta majoritariamente na manutenção do patamar atual. Dados de uma semana antes da reunião indicavam uma probabilidade implícita de 63,1% para que a taxa fosse mantida, segundo as Opções de Copom negociadas na B3.
Perguntas frequentes
O governo federal vai congelar a taxa de juros?
Não. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou publicamente que haja qualquer proposta em avaliação para congelar ou tabelar a taxa básica de juros no Brasil.
Há reunião entre Lula e André Lara Resende?
Não. Tanto o Ministério da Fazenda quanto a agenda oficial do Palácio do Planalto indicam que não há compromisso agendado entre o presidente da República e o economista André Lara Resende para esta semana.
Quem decide a taxa Selic?
A taxa Selic é definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central. A próxima reunião está marcada para 3 de novembro, com o objetivo de avaliar o patamar atual de 13,75% ao ano.



