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Fiesp critica Selic em 13,75% e aponta aperto excessivo

A Fiesp classificou a manutenção da Selic em 13,75% como um aperto monetário desmedido, cobrando uma redução para aliviar o custo do crédito.

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Gráfico mostrando a taxa Selic em 13,75% e a inflação anualizada em 4,58%, com destaque para a análise da Fiesp.
Foto: Jovem Pan

Em resumo

Em 4 de novembro de 2026, a Fiesp criticou a decisão do Banco Central de manter a Selic em 13,75% ao ano. A entidade alega que a taxa está três vezes acima da inflação corrente, impactando negativamente a atividade industrial e o investimento.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) classificou a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central como um "aperto monetário desmedido". A crítica foi feita após a manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano, encerrando uma sequência de cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual. Para a entidade, o patamar atual da taxa de juros coloca a Selic em um nível aproximadamente três vezes superior à inflação corrente, o que gera preocupação com o desempenho da indústria nacional.

A reação da Fiesp destaca a divergência entre o setor produtivo e a postura de cautela adotada pelo Banco Central. Enquanto a instituição financeira central prioriza a convergência da inflação para a meta, a indústria vê na manutenção de juros altos um obstáculo para a retomada do crescimento e a expansão do crédito empresarial.

O contexto da decisão do Copom

O Banco Central anunciou a manutenção da Selic em 13,75% ao ano em comunicado oficial. A justificativa apresentada pelo comitê foi que a medida é "compatível com a estratégia de convergência da inflação ao redor da meta". A Selic é o principal instrumento utilizado pelo BC para controlar a inflação, cuja meta anual é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) citados pela reportagem do Jovem Pan, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estava anualizado em 4,58% no momento da decisão, permanecendo acima do intervalo de tolerância estabelecido. Essa realidade influenciou a postura do comitê, que optou por não reduzir os juros para evitar que a inflação volte a acelerar.

Riscos e incertezas no cenário econômico

No comunicado, o Copom ressaltou que os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de queda, estão "mais elevados que o usual". Embora os riscos sejam bidirecionais, o comitê destacou a tendência de aumento dos preços como um fator relevante para a manutenção da política monetária atual.

A cautela do Banco Central também reflete o ambiente externo. O comitê apontou que o cenário internacional está mais adverso devido ao prolongamento dos conflitos no Oriente Médio. Esse cenário impacta diretamente o preço do petróleo e de seus derivados, além de ser influenciado pela política monetária mais restritiva adotada pelas maiores economias do mundo. No âmbito doméstico, as "incertezas" também exigem uma postura cuidadosa por parte das autoridades monetárias.

Expectativas de mercado para a inflação

As projeções do mercado financeiro, divulgadas no Boletim Focus na terça-feira (3), mostram um cenário desafiador para o controle da inflação. Para o ano de 2026, a expectativa é que o IPCA termine em 5,22%, um valor significativamente acima da meta de 3%. Para 2027, a previsão é de que o índice de preços encerre o ano em 4,76%, ainda dentro do intervalo de tolerância, mas acima da meta central.

Essas projeções reforçam a lógica do Banco Central em manter a Selic elevada. A manutenção da taxa em 13,75% é vista como um mecanismo de ancoragem das expectativas inflacionárias, buscando garantir que os agentes econômicos não incorporem altas de preços maiores do que o esperado nas suas decisões de consumo e investimento.

Impacto para a indústria e o crédito

Para a Fiesp, a taxa de juros atual representa um custo elevado para a produção industrial. A relação entre a Selic e a inflação, apontada como desproporcional pela entidade, sugere que o custo de capital está penalizando a competitividade das empresas. Um crédito caro desestimula investimentos em tecnologia, expansão de capacidade produtiva e contratação, fatores essenciais para a geração de emprego e renda.

A crítica da Fiesp cobra uma redução na taxa básica de juros, argumentando que o atual nível de aperto monetário pode estar sendo excessivo para a economia brasileira. A entidade busca um equilíbrio que permita o controle da inflação sem sufocar o crescimento econômico e a atividade industrial.

Perguntas frequentes

Por que a Fiesp criticou a manutenção da Selic?

A Fiesp criticou a decisão porque considera que a taxa de 13,75% ao ano representa um aperto monetário desmedido. A entidade argumenta que a Selic está cerca de três vezes acima da inflação corrente, o que encarece o crédito e prejudica a competitividade da indústria.

Qual foi a decisão do Copom sobre a taxa de juros?

O Copom decidiu manter a taxa Selic em 13,75% ao ano. Essa decisão encerrou um ciclo de cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual, priorizando a cautela diante dos riscos inflacionários e da incerteza no cenário externo.

Como o cenário externo influencia a política monetária do Brasil?

O cenário externo, marcado por conflitos no Oriente Médio e políticas monetárias restritivas em outras grandes economias, aumenta a incerteza e o preço de commodities como o petróleo. Isso leva o Banco Central a adotar uma postura mais cautelosa para evitar pressões inflacionárias importadas.