Infraestrutura no Brasil: CNI aponta transporte como dor
Levantamento da CNI mostra que a dependência das rodovias e os altos custos de transporte impactam a competitividade da indústria brasileira.

Em resumo
Pesquisa da CNI divulgada em novembro de 2026 indica que 75% dos empresários brasileiros consideram o transporte o principal problema de infraestrutura. O estudo destaca a alta dependência das rodovias e os custos logísticos elevados como fatores que comprometem a competitividade industrial.
O transporte é apontado por três em cada quatro empresários industriais brasileiros como a principal dificuldade de infraestrutura do país. Um levantamento realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e divulgado nesta quinta-feira (5) revela que a logística é o maior entrave para a competitividade das empresas de médio e grande porte nos 27 estados. Segundo o portal Jovem Pan, a pesquisa ouviu 2,5 mil representantes de empresas e identificou uma forte dependência do modal rodoviário, o que eleva os custos e afeta a produção.
Dependência das rodovias e longas distâncias
Os dados mostram uma realidade crítica: 98% das indústrias utilizam rodovias para escoar sua produção. Essa concentração no transporte de cargas por caminhões está diretamente ligada à estrutura atual da matriz logística do país. A pesquisa detalha que muitos desses trajetos são extremamente longos.
Entre as empresas que recorrem ao transporte rodoviário:
- 23% percorrem mais de 1,6 mil quilômetros;
- 9% fazem trajetos entre 1,2 mil e 1,6 mil quilômetros;
- 17% percorrem distâncias entre 800 e 1,2 mil quilômetros.
Para a CNI, o uso intensivo de caminhões em percursos extensos contribui significativamente para a elevação dos custos logísticos. A entidade defende uma mudança de modelo, priorizando o rodoviário apenas para trajetos curtos e médios, com integração a ferrovias, hidrovias e cabotagem para deslocamentos mais longos.
Dispostos a mudar o modal
Apesar da dependência atual, parte dos empresários demonstra disposição para alterar suas estratégias logísticas caso as condições mudem. O levantamento aponta que, entre os que utilizam rodovias, 45% afirmaram que transfeririam, ao menos parcialmente, suas cargas para outros meios de transporte se houvesse infraestrutura adequada.
Dentro desse grupo de empresários dispostos a mudar, 63% indicaram as ferrovias como a alternativa preferencial. Isso sugere que existe um interesse do setor industrial em diversificar os modais, desde que a oferta de capacidade e a eficiência da rede ferroviária sejam melhoradas.
O peso dos custos logísticos na indústria
Além da infraestrutura física, o custo é um dos principais fatores de pressão sobre a atividade industrial. A pesquisa da CNI, citada pelo veículo de origem, apresenta números alarmantes sobre a percepção de custo:
- 75% dos empresários consideram as despesas com transporte altas ou muito altas;
- 91% afirmaram que os custos logísticos aumentaram nos últimos dez anos;
- 70% dos entrevistados relataram que a alta foi expressiva e provocou perda de competitividade.
A energia elétrica também figura entre os principais fatores de pressão. Segundo o estudo, 81% dos executivos consideram alta ou muito alta a conta de luz. A CNI atribui os custos elevados de transporte a deficiências na infraestrutura, à concentração da matriz logística no modal rodoviário e a fatores regulatórios. A entidade alerta que esses problemas encarecem a produção e podem se refletir diretamente nos preços pagos pelos consumidores finais.
Avaliação dos diferentes modais
O estudo também avaliou a satisfação dos empresários com diferentes áreas da infraestrutura brasileira. Os aeroportos receberam a maior proporção de avaliações positivas, com 64%, seguidos pelas telecomunicações (62%) e pelo fornecimento de energia elétrica (60%).
Por outro lado, os modais de transporte de carga apresentaram resultados inferiores:
- Saneamento básico: 48% de avaliações positivas;
- Portos: 44%;
- Rodovias: 38%;
- Hidrovias: 27%;
- Ferrovias: 21%.
As ferrovias registraram o pior resultado entre os segmentos analisados. De acordo com a CNI, essa avaliação está relacionada à existência de linhas antigas, trechos abandonados ou com baixa utilização. A entidade estima que a malha ferroviária brasileira tenha aproximadamente 30 mil quilômetros, dos quais 12 mil estão sem operação.
Impacto na competitividade
Ricardo Alban, presidente da CNI, afirmou que as deficiências de infraestrutura encarecem a produção e comprometem a competitividade da indústria brasileira. A insatisfação dos empresários é clara e abrange problemas como rodovias em más condições, trechos ferroviários abandonados, limitações de acesso e capacidade nos portos, falhas no fornecimento de energia e dificuldades de conectividade à internet.
A combinação de custos altos e infraestrutura deficiente cria um cenário desafiador para a indústria nacional. Enquanto a dependência das rodovias persiste, a pressão sobre os preços de produção e a perda de competitividade tendem a se manter, exigindo investimentos e políticas públicas que priorizem a integração entre os modais.
Qual é a principal dificuldade de infraestrutura para a indústria brasileira?
De acordo com a pesquisa da CNI, o transporte é a principal dificuldade de infraestrutura no Brasil para 75% dos empresários industriais entrevistados.
Qual modal de transporte é mais utilizado pelas indústrias?
As rodovias são o meio predominante, pois 98% das indústrias afirmam utilizar esse modal para escoar sua produção.
Os empresários estão dispostos a usar outros modais de transporte?
Sim, 45% dos empresários que usam rodovias afirmaram que transfeririam parte de suas cargas para outros meios, como ferrovias, caso houvesse condições adequadas de infraestrutura.



