Noticias

Lula adia definição de ministérios para 4º mandato

Lula não deve fechar a composição da Esplanada dos Ministérios agora e deve deixar a decisão para dezembro. A prioridade será medir a fidelidade dos partidos que entrarem no governo.

5 min de leitura

Lula em reunião ministerial, em Brasília, durante articulação para o quarto mandato
Foto: Metrópoles

Em resumo

Segundo o Metrópoles, Lula deve adiar para dezembro a definição dos nomes que vão compor a Esplanada dos Ministérios no quarto mandato. A estratégia é priorizar partidos mais fiéis às pautas do governo, com conversas iniciais conduzidas por Edinho Silva a partir desta semana.

Lula deve deixar para dezembro a definição dos nomes que vão compor a Esplanada dos Ministérios no quarto mandato. Segundo o portal Metrópoles, a prioridade do presidente será escolher aliados com maior compromisso com as pautas do governo, em vez de acelerar a montagem da equipe agora.

O que muda na formação do governo

De acordo com a apuração do Metrópoles, emissários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva começam a conversar com partidos e lideranças políticas a partir desta semana para discutir a nova composição ministerial. A decisão sobre os nomes, porém, deve ficar para dezembro, segundo aliados do Palácio do Planalto.

A estratégia para o próximo governo será mais criteriosa do que no mandato atual. A ideia é levar em conta o grau de fidelidade das legendas que forem chamadas a ocupar espaços no alto escalão do Executivo federal.

Essa leitura parte de uma experiência recente do governo. No terceiro mandato, Lula distribuiu pastas a partidos como MDB, PSD e União Brasil, mas enfrentou derrotas em votações importantes no Congresso Nacional.

Edinho Silva abre as conversas

Ainda segundo o Metrópoles, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, foi escolhido por Lula para conduzir as primeiras conversas com partidos do centro sobre a composição do quarto mandato. Os encontros devem começar na terça-feira, 3 de novembro, após o feriado de Finados.

Além de Edinho, outros emissários e até o próprio presidente devem participar das tratativas com lideranças do Centrão ao longo desta semana.

O foco inicial é político. A distribuição de espaços no governo deverá considerar o compromisso de cada legenda com as pautas e os projetos do Executivo.

Fidelidade será o principal critério

A mudança de critério é central para entender a montagem do novo governo. Segundo o portal, Lula quer evitar repetir o cenário em que partidos com ministérios votaram contra o Planalto em diferentes momentos, sem um compromisso formal de apoio ao Executivo.

Desta vez, a cobrança por fidelidade deverá ser maior para garantir governabilidade em um Congresso dominado pela oposição.

O pano de fundo é a correlação de forças no Legislativo a partir de 2027. O PL terá as maiores bancadas das duas Casas: na Câmara, serão 121 dos 513 deputados, e no Senado, 29 dos 81 senadores. O PT, por sua vez, contará com 70 deputados e 10 senadores.

Como foi a relação no terceiro mandato

O relacionamento com o Congresso já foi um dos principais obstáculos do terceiro mandato de Lula. Em 2023, a medida provisória que reorganizou a Esplanada dos Ministérios quase perdeu a validade e só foi aprovada no último dia do prazo, com mudanças que contrariaram o governo.

Segundo a reportagem do Metrópoles, as alterações atingiram especialmente as atribuições dos ministérios do Meio Ambiente e dos Povos Indígenas.

As dificuldades também apareceram em outras votações, inclusive com a derrubada de vetos presidenciais. No Senado, uma das maiores derrotas foi a rejeição de Jorge Messias, indicado por Lula para uma vaga no Supremo Tribunal Federal, em abril deste ano.

Centrão entra no centro das negociações

No novo desenho, os partidos do Centrão devem ter papel importante nas conversas. A apuração do Metrópoles aponta que a distribuição de cargos será avaliada com base na disposição de cada sigla para apoiar a agenda do governo.

No segundo turno das eleições presidenciais, os principais partidos do Centrão declararam apoio a Flávio Bolsonaro, derrotado nas urnas. Entre eles estão Republicanos, a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, Podemos e MDB.

Sem apoio formal das legendas, Lula buscou apoios individuais de lideranças políticas, como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente da Câmara, Hugo Motta.

Nomes que ganham força nos bastidores

Nos bastidores, algumas conversas sobre possíveis ocupantes de cargos já começam a ganhar força. Entre os nomes citados pela reportagem estão políticos considerados importantes para a reeleição de Lula, como o senador Camilo Santana, o governador do Piauí, Rafael Fonteles, e o deputado federal André Janones.

Camilo Santana, ex-ministro da Educação, ganhou força para assumir a Casa Civil no próximo mandato. Segundo o Metrópoles, ele já era visto como um auxiliar bem-sucedido à frente do MEC e saiu fortalecido após coordenar a vitória em primeiro turno do governador Elmano de Freitas no Ceará.

No segundo turno, Camilo também teve papel de destaque na coordenação política da campanha de Lula.

A movimentação mostra que a escolha dos ministérios não será apenas técnica. Ela também será uma peça da articulação política do governo para tentar ampliar sustentação no Congresso e reduzir resistências já conhecidas.

O que observar até dezembro

Até a definição final, o governo deve usar o período de conversas para medir a disposição dos partidos em apoiar a agenda do Planalto. O critério de fidelidade tende a pesar mais do que a simples ocupação de cargos.

Na prática, isso significa que a montagem da Esplanada pode virar um teste de confiança entre Lula e as legendas que desejam espaço no governo.

Entre os pontos a observar estão:

  • o peso de Edinho Silva nas primeiras negociações;
  • a participação de Lula nas conversas mais sensíveis;
  • a reação dos partidos do centro ao novo critério de escolha;
  • os nomes que podem ganhar força até dezembro.

Perguntas frequentes

Quando Lula deve definir os ministérios?

A definição dos nomes deve ocorrer apenas em dezembro, segundo aliados do presidente ouvidos pelo Metrópoles.

Qual será o principal critério para a escolha dos ministros?

A prioridade será a fidelidade dos partidos às pautas e aos projetos do governo federal.

Quem conduz as primeiras conversas com os partidos?

Segundo a reportagem, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, foi escolhido para abrir as negociações com partidos do centro.

Por que isso importa

A escolha dos ministérios no quarto mandato será decisiva para a relação de Lula com o Congresso. Com uma oposição fortalecida e um cenário legislativo mais difícil, o governo quer reduzir riscos e montar uma base mais confiável.

Por isso, a definição dos nomes foi empurrada para depois. Antes de anunciar cargos, Lula quer medir quem realmente está disposto a sustentar o governo na prática.