Pancreatite em MG: paciente aguarda cirurgia no SUS
A família de uma paciente em Nova Lima denuncia falta de leito e estrutura para realizar uma cirurgia de urgência, revelando desafios na rede pública de Minas Gerais.

Em resumo
Leci Cassiano, 57, sofre de pancreatite grave em Nova Lima após complicações de cirurgia biliar. A família relata demora na regulação do SUS para realizar a CPRE. A Fhemig afirma que a transferência é responsabilidade municipal e que o hospital possui estrutura apta.
A luta por um leito em Minas Gerais
Uma mulher de 57 anos enfrenta um quadro clínico crítico em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, enquanto aguarda a realização de um procedimento cirúrgico de urgência. O caso, divulgado pelo portal Metrópoles, destaca as dificuldades enfrentadas por pacientes e familiares ao tentar acessar serviços especializados na rede pública de saúde do estado. A paciente, identificada como Leci Cassiano, foi internada após complicações decorrentes de uma cirurgia para retirada de pedras na vesícula, realizada em 27 de outubro de 2026.
O quadro clínico e a necessidade de intervenção
Segundo os relatos da família, Leci apresentava dores intensas e sinais de inflamação no pâncreas, condição médica conhecida como pancreatite. Os parentes afirmam que a paciente necessita passar por uma colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) para desobstruir um canal entre a vesícula e o pâncreas. Sem esse procedimento, o risco de novas complicações é elevado, especialmente porque a paciente também é diabética e estava apresentando alterações na saturação e no controle glicêmico.
A família conta que, após a alta hospitalar no dia seguinte à cirurgia, Leci voltou a passar mal em casa. Ao retornar ao Hospital Nossa Senhora de Lourdes, em Nova Lima, foi identificada a obstrução que provocou a inflamação. Contudo, a unidade não realiza o procedimento específico indicado pelos médicos, iniciando assim um processo de busca por outra referência que pudesse atendê-la.
Desafios na regulação do SUS
O irmão da paciente, Silas, relatou que a família tentou, desde o dia 28 de outubro, realizar a transferência para um hospital que oferecesse a estrutura necessária. A unidade de referência citada é o Hospital Júlia Kubitschek, em Belo Horizonte. No entanto, os familiares afirmam que encontraram obstáculos, como a alegação de que um equipamento estaria inoperante e que o médico responsável por outro estaria de férias.
Havia a expectativa de que a transferência fosse agilizada, mas conversas com a coordenação responsável pela regulação indicaram que faltavam etapas administrativas, como a atualização de exames e a avaliação de risco cirúrgico no sistema. Essa burocracia gerou preocupação extrema, pois a paciente dependia de morfina para controlar as dores e apresentava sinais de piora, incluindo icterícia (pele amarelada).
Posicionamento da Fhemig
Diante das denúncias, a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) se manifestou sobre o caso. A instituição esclareceu que a regulação de pacientes para procedimentos de alta complexidade é de responsabilidade do município. O município é quem organiza e direciona os usuários aos prestadores habilitados na rede do Sistema Único de Saúde (SUS), seguindo os fluxos assistenciais estabelecidos.
A Fhemig reforçou que é prestadora de serviços e não controla o fluxo de encaminhamentos. Sobre o Hospital Júlia Kubitschek, a fundação informou que a unidade dispõe de equipamentos e profissionais habilitados para realizar a CPRE. Contudo, a nota destaca que o HJK não é o único local apto a realizar o exame, e que outros serviços da rede também podem ofertá-lo, cabendo à regulação municipal direcionar o paciente conforme a disponibilidade.
Impacto na vida da paciente
A demora no atendimento tem afetado diretamente a saúde de Leci. A família relata que ela passou a apresentar fraqueza, deixou de se alimentar e teve o quadro agravado, sendo encaminhada para a Terapia Intensiva (CTI). A incerteza sobre o prazo exato para a realização da cirurgia gera ansiedade e medo de que a situação se torne irreversível.
Além da questão clínica, os familiares apontaram dificuldades na comunicação. Silas relatou que houve momentos em que a equipe médica não prescreveu medicação adequada para o controle da dor e que os responsáveis pela unidade não davam retorno claro sobre o andamento do caso. Essa falta de transparência agrava o estresse de quem cuida da paciente em um momento de crise.
O contexto da saúde em Minas
Este caso não é isolado e reflete desafios estruturais e operacionais enfrentados pelo sistema de saúde em Minas Gerais. A regulação, que serve como ponte entre a demanda dos pacientes e a oferta de serviços, muitas vezes enfrenta gargalos que atrasam atendimentos essenciais. A CPRE é um procedimento de alta complexidade, o que significa que a disponibilidade de leitos e equipamentos é um recurso escasso e altamente disputado.
A situação levanta questões importantes sobre a eficiência dos fluxos de referência e contrarreferência no SUS. Quando a regulação municipal não consegue resolver o encaminhamento de forma ágil, o paciente fica em uma zona de limbo, dependente de políticas que, na prática, não atendem à urgência do momento.
Perguntas frequentes
O que é a CPRE?
A Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica é um procedimento médico que combina endoscopia e raios X para diagnosticar e tratar problemas nas vias biliares e pancreáticas, como obstruções por pedras.
Quem é responsável pela regulação no SUS?
A regulação é uma função do município, que é responsável por organizar a rede de saúde local e direcionar os pacientes para os hospitais e clínicas habilitados a oferecer o serviço específico de que eles necessitam.
Por que a transferência não foi imediata?
Segundo os familiares, havia pendências administrativas no sistema, como a atualização de exames e a avaliação de risco cirúrgico. A Fhemig afirma que a disponibilidade de leitos e a diretriz de encaminhamento são geridas pela regulação municipal.



