Propina lixo Bauru: MPSP pede prisão de ex-secretário
O Ministério Público de São Paulo argumenta que pagamento de R$ 750 mil a empresa de fachada ocorreu no dia de votação de projeto de lei.

Em resumo
O MPSP pediu a manutenção da prisão preventiva de Renato Purini, ex-secretário de Bauru, por suspeita de propina em contrato de manejo de lixo. A acusação aponta pagamento a empresa de fachada no dia de votação de lei de interesse do grupo investigado.
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) manifestou-se contra a revogação da prisão preventiva de Renato Purini, ex-secretário de Governo de Bauru, no âmbito da investigação sobre fraudes na concessão dos serviços de manejo do lixo no município. A decisão do órgão ocorre no contexto da Operação Cavalo de Troia, que apura desvios em licitações na prefeitura paulista. Purini, que é marido da prefeita Suéllen Rosim (PSD), está preso preventivamente desde o dia 16 de outubro de 2026.
Segundo o portal Metrópoles, um dos argumentos centrais da Promotoria para manter a prisão é a conexão temporal entre um pagamento financeiro e uma votação legislativa. O documento aponta que houve a baixa manual de um pagamento de R$ 750 mil feito pela empresa Estre Ambiental, vencedora do certame, para a Core Investimentos. Esta última é apontada nas investigações como uma empresa de fachada utilizada para intermediar repasses de vantagens indevidas. A efetivação desse pagamento ocorreu em 8 de dezembro de 2025, exatamente a data em que a Câmara Municipal de Bauru votou um projeto de lei de interesse direto do grupo empresarial investigado.
A dinâmica da votação e o papel do ex-secretário
A manifestação do MPSP destaca que a votação na Câmara Municipal de Bauru contou com a atuação política direta de Renato Purini. De acordo com as apurações, o ex-secretário teria permanecido na madrugada acompanhando os votos e impedindo parlamentares de deixarem o local da sessão. O resultado final foi de 11 votos favoráveis e nove contrários à proposta. O Ministério Público afirma que, no exato dia da votação, foram pagos os recursos à empresa intermediária, o que reforça a tese de que as vantagens indevidas eram coordenadas em favor de Purini.
A investigação também identificou pagamentos posteriores à Estre Ambiental à Core Investimentos, com a última nota fiscal emitida em 8 de setembro de 2026. Esse período coincide com um dia antes da deflagração da primeira fase da Operação Cavalo de Troia pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPSP.
Réus e desdobramentos da Operação Cavalo de Troia
Na primeira etapa da investigação, seis alvos se tornaram réus por organização criminosa, frustração do caráter competitivo de licitação, contratação direta ilegal e crimes de corrupção ativa e passiva. Entre os réus, destacam-se:
- Cilene Chabuh Bordezan, ex-secretária de Meio Ambiente;
- Vitor João de Freitas Costa, ex-secretário de Negócios Jurídicos;
- Sara Moura de Jesus, ex-secretária adjunta de Meio Ambiente;
- Hamilton Libório Agle, CEO da Estre Ambiental;
- Talita de Andrade Soares Chieregatti, funcionária da empresa;
- Mario Luiz Silverio, consultor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
Os três ex-secretários municipais e Ricardo Purini foram exonerados de seus cargos pela prefeita Suéllen Rosim. Até o momento, a prefeita não é investigada no processo. A operação mira uma fraude estimada em R$ 5,2 bilhões na Prefeitura de Bauru, envolvendo o manejo de resíduos sólidos.
Defesa de Renato Purini
Em nota enviada à imprensa, a defesa de Renato Purini, representada pelos advogados Roberto Ribeiro Jr. e Ricardo Ribeiro Velloso, negou qualquer ato ilícito. Os advogados afirmam que o cliente "sempre exerceu suas funções públicas com compromisso e responsabilidade, tanto no Poder Legislativo quanto no Executivo de Bauru". O texto da defesa ressalta que, durante sua atuação como secretário de Governo, Purini jamais solicitou, negociou ou recebeu recursos de origem ilícita.
A assessoria jurídica reforçou a confiança nos órgãos de investigação e na Justiça, informando que adotarão todas as medidas legais cabíveis para garantir os direitos do cliente. A defesa baseia-se no devido processo legal e na presunção de inocência, afirmando que a inocência será comprovada ao término das investigações.
Perguntas Frequentes
Quanto foi o pagamento apontado no contrato do lixo de Bauru?
O MPSP aponta um pagamento de R$ 750 mil feito pela Estre Ambiental à Core Investimentos, empresa de fachada, no dia em que a Câmara votou um projeto de interesse do grupo.
Quem é Renato Purini e qual sua relação com a prefeita de Bauru?
Renato Purini é o ex-secretário de Governo de Bauru e marido da prefeita Suéllen Rosim (PSD). Ele foi exonerado do cargo e está preso preventivamente.
Qual a acusação principal contra a empresa Estre Ambiental?
A empresa é acusada de fraudar licitações e realizar pagamentos a empresas de fachada para repassar propinas a servidores públicos envolvidos no manejo do lixo em Bauru.



