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Redes sociais de Lula: Janones propõe estratégia de aliados

Deputado sugere que o presidente amplie o alcance de aliados por meio de vídeos conjuntos e lives, replicando a estratégia que impulsionou a direita.

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Ilustração de gráficos de redes sociais com setas indicando crescimento e engajamento de perfis políticos.
Foto: Metrópoles

Em resumo

André Janones propõe a Lula adotar uma estratégia de marketing digital similar à de Bolsonaro, utilizando lives e collabs para fortalecer aliados. A ideia visa criar audiência própria para o campo progressista, que hoje depende excessivamente do presidente, segundo análise do portal Metrópoles.

A estratégia de redes sociais de Lula pode mudar de forma significativa, de acordo com a proposta apresentada pelo deputado André Janones. A sugestão, divulgada pelo portal Metrópoles, é que o presidente utilize o quarto mandato para ampliar o apoio aos seus aliados, ajudando-os a construir audiência própria por meio de vídeos conjuntos, lives e collabs. O objetivo é evitar que a mobilização política dependa exclusivamente do nome do presidente, garantindo sustentabilidade ao campo progressista nas próximas eleições.

O modelo que inspirou a proposta

A iniciativa de Janones parte da observação de como a direita estruturou sua presença digital desde 2017. No bolsonarismo, criou-se um sistema onde políticos com maior audiência "emprestam" visibilidade para aliados, que crescem e, por sua vez, apadrinham novos nomes. Essa engrenagem começou na pré-campanha de Jair Bolsonaro e ganhou escala durante o governo, com lives semanais servindo de vitrine para auxiliares.

Segundo o Metrópoles, dados indicam que Tarcísio de Freitas e Jorge Seif ganharam projeção ao lado do ex-presidente. A rede passou a se reproduzir sozinha, resultando em nomes como Nikolas Ferreira, que hoje é o político mais influente do Brasil no Instagram. Em contrapartida, Lula seguiu um caminho oposto, mantendo a gestão das redes com sua equipe e não utilizando sua audiência para lançar novos nomes de forma sistêmica.

Dados de influência no Instagram

O ranking dos cem políticos mais influentes do Instagram no primeiro semestre, elaborado pela Zeeng com base em 546 mil publicações, revela a disparidade entre os campos. A direita e a centro-direita ocupam 76 das 100 posições, enquanto a esquerda e a centro-esquerda possuem apenas 16. Em termos de engajamento médio por post, a rede de aliados da direita é cerca de 15 vezes maior.

Entre os vinte primeiros colocados, há três progressistas, nenhum lançado diretamente por Lula. Erika Hilton, em quarto lugar, construiu sua audiência enfrentando a direita nas redes. Janones, que ficou conhecido antes de se aproximar do PT, também aparece na lista. Lula ocupa a 11ª posição, mas o próximo aliado próximo é Renato Freitas, em 25º, com metade do engajamento do presidente. Oito bolsonaristas engajam mais que o atual chefe do Executivo.

A importância da rede própria

A falta de uma estrutura de lançamento de aliados teve custos visíveis no primeiro turno das eleições. Enquanto o PL elegeu 121 deputados federais, a maior bancada desde 1988, e cinco governadores no primeiro turno, o PT ficou com 70 deputados. A exceção foi Erika Hilton e Sâmia Bomfim, que tiveram puxadores de voto próprios. Para cargos de deputado, senador e governador, quem possui rede própria leva votos em todo o estado, algo que o campo progressista ainda não domina com a mesma eficácia.

Janones, que ajudou Lula a vencer a eleição com um canal de WhatsApp de 10 milhões de pessoas, agora defende que essa mobilização precisa ser sustentada. A proposta é que o presidente faça o que Bolsonaro vem fazendo: dar palco aos aliados. Sem essa estrutura, a dependência de um único nome, que não estará nas urnas na próxima disputa, coloca em risco a continuidade do projeto político.

Regras para a nova estratégia

A nova fase proposta por Janones inclui regras específicas para a atuação digital dos aliados. A primeira é não responder a posts de adversários, pois o algoritmo trata qualquer comentário como sinal de relevância, ampliando o alcance do conteúdo do oponente. A segunda é manter uma narrativa única, vantagem que a direita possui e que o ministro Paulo Pimenta reconheceu ao lançar a rede Porta-Vozes do Lula, citando a "orientação de unidade narrativa" do adversário.

A proposta surge em um momento em que a esquerda busca consolidar sua presença digital para além da figura do presidente. A ideia é transformar a audiência de Lula em uma plataforma de formação de novos líderes, garantindo que o campo progressista tenha agentes políticos independentes e fortes nas redes sociais para os próximos ciclos eleitorais.