Yago Martins critica Nikolas Ferreira por revanchismo
Yago Martins criticou Nikolas Ferreira após uma publicação sobre Lula no Ceará e violência no estado. O pastor disse que a atitude do deputado envergonha o evangelho e cobrou mais autocrítica da direita religiosa.

Em resumo
Segundo o portal Notícias ao Minuto Brasil, o pastor Yago Martins criticou Nikolas Ferreira em 2 de novembro de 2026, após o deputado relacionar a vitória de Lula no Ceará a ataques do crime organizado. Yago disse que a postura foi revanchista, afirmou que ela fere princípios cristãos e cobrou autocrítica da direita religiosa.
Yago Martins criticou Nikolas Ferreira após uma publicação do deputado nas redes sociais relacionar a vitória de Lula no Ceará a episódios de violência no estado. Segundo o portal Notícias ao Minuto Brasil, o pastor afirmou que a postura do parlamentar é revanchista e disse que ela “envergonha o evangelho”.
A reação ganhou repercussão porque Yago Martins, embora se identifique com posições políticas de direita, cobrou coerência de lideranças religiosas e políticas que usam a fé para comentar disputas eleitorais. O caso também abriu espaço para um debate mais amplo sobre bolsonarismo, cristianismo e o uso de redes sociais em embates políticos.
O que disse Nikolas Ferreira
A polêmica começou quando Nikolas Ferreira compartilhou, na rede social X, duas notícias. Uma delas mostrava que Lula havia vencido Flávio Bolsonaro nos 184 municípios cearenses no segundo turno das eleições presidenciais. A outra tratava de ataques atribuídos ao Comando Vermelho no estado.
Ao publicar as duas informações, o deputado escreveu: “Plantou, colheu”. A frase foi interpretada por Yago Martins como uma insinuação de que eleitores de Lula seriam responsáveis pela violência enfrentada no Ceará e, por isso, mereceriam sofrer as consequências.
A resposta de Yago Martins
Na resposta pública, o pastor escreveu que o comportamento do deputado “envergonha o evangelho”. Em entrevista à Folha, citada pelo Notícias ao Minuto Brasil, Yago disse que sua indignação veio do fato de Nikolas se apresentar publicamente como cristão.
Segundo o pastor, ele se incomodou com a forma como um parlamentar eleito pelo povo reagiu ao sofrimento de pessoas que votaram diferente. Para Yago, esse tipo de atitude transforma a disputa política em revanchismo, algo que contraria os princípios cristãos que ele considera centrais.
Ele também criticou o uso da fé como justificativa para ataques a adversários políticos. Em sua avaliação, a lógica de revanche é incompatível com o núcleo do evangelho, que, segundo ele, está ligado ao amor ao próximo e à misericórdia.
Quem é Yago Martins
Yago Martins é pastor batista, teólogo e responsável pelo canal Dois Dedos de Teologia, que reúne cerca de 1 milhão de inscritos no YouTube. Ele também é autor do livro A Religião do Bolsonarismo: Um Ensaio Teológico, obra em que analisa a relação entre a fé evangélica e o movimento político associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Apesar da crítica dura a Nikolas Ferreira, Yago afirmou que sua posição não representa aproximação com a esquerda. Segundo ele, a reação surgiu justamente porque o deputado é alguém que compartilha parte de suas convicções religiosas e políticas.
O pastor disse ter visto “alguém do meu próprio lado político tendo uma atitude tão desumana” em nome do revanchismo. Para ele, a direita brasileira precisa rever sua relação com o bolsonarismo e deixar de tratar adversários como inimigos.
O debate sobre direita, bolsonarismo e fé
A fala de Yago Martins vai além de uma disputa pontual entre dois nomes conhecidos do campo conservador. Ela toca em uma discussão recorrente entre lideranças evangélicas: até que ponto a fé pode ser usada como linguagem de mobilização política.
Na avaliação do pastor, o movimento liderado pela família Bolsonaro acabou absorvendo grande parte da direita tradicional. Ele afirmou que essa dinâmica fez com que a direita no país ficasse muito associada ao bolsonarismo.
Yago também defendeu que lideranças religiosas se afastem de práticas que utilizam a imagem de Jesus como instrumento de disputa eleitoral sem compromisso com os princípios cristãos. Para ele, o cristianismo não pode ser reduzido a uma ferramenta de ataque a quem pensa diferente.
Yago Martins diz que votaria em Flávio Bolsonaro
Mesmo com as críticas ao bolsonarismo, Yago Martins afirmou que, se tivesse participado do segundo turno das eleições presidenciais, teria votado em Flávio Bolsonaro. Segundo o pastor, ele estava viajando durante os dois turnos e por isso não compareceu às urnas.
De acordo com o que relatou, a escolha pelo candidato do PL seria feita “com muita dor no coração”, principalmente por preocupações com futuras indicações ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Yago também criticou a decisão de Flávio de deixar o Brasil após a derrota eleitoral. Ao mesmo tempo, ponderou que a rapidez das medidas judiciais relacionadas ao passaporte do senador poderia alimentar alegações de perseguição política.
Críticas a boicotes e perseguição a eleitores de Lula
Além de reagir à publicação de Nikolas Ferreira, Yago Martins condenou campanhas de boicote e demissão de trabalhadores por causa de preferências eleitorais. Para ele, o resultado das urnas não pode servir de justificativa para ataques pessoais ou perseguições contra quem votou em candidatos diferentes.
O pastor afirmou que não é possível construir uma cultura política cristã baseada em ódio e revanchismo. Ele também defendeu que pessoas de esquerda possam professar a fé cristã sem serem tratadas como inimigas religiosas.
Embora reconheça que discursos hostis também existam em setores da esquerda, Yago disse que isso não justifica atitudes semelhantes entre lideranças da direita evangélica.
Por que essa discussão repercute tanto
O episódio repercute porque envolve três temas que costumam gerar forte engajamento nas redes sociais:
- a relação entre religião e política;
- a atuação de parlamentares evangélicos;
- a polarização entre direita, esquerda e bolsonarismo.
No centro da discussão está a forma como líderes cristãos interpretam o papel público da fé. Para Yago Martins, o problema não está apenas no conteúdo político da postagem de Nikolas Ferreira, mas no tom de revanche e na tentativa de associar o voto de um grupo à violência que atinge um estado.
Perguntas frequentes
O que Yago Martins disse sobre Nikolas Ferreira?
Yago Martins afirmou que a postura do deputado “envergonha o evangelho” e criticou o que chamou de comportamento revanchista após uma publicação sobre Lula no Ceará.
Por que a publicação de Nikolas gerou reação?
Segundo o Notícias ao Minuto Brasil, Nikolas relacionou a vitória de Lula no Ceará a ataques atribuídos ao crime organizado, e a mensagem foi vista como uma insinuação contra eleitores do presidente.
Yago Martins mudou de posição política?
Não. Ele afirmou que sua crítica não representa aproximação com a esquerda e disse continuar identificado com posições de direita, embora critique o bolsonarismo e o uso político da fé.
O que fica desse episódio
O caso mostra como disputas políticas podem alcançar o debate religioso e provocar reações dentro do próprio campo conservador. Ao criticar Nikolas Ferreira, Yago Martins tentou marcar distância entre fé cristã e revanchismo político, defendendo que o evangelho não pode ser usado como justificativa para humilhar adversários ou eleitores de outro lado.



