Economia

Setor de serviços recua 0,1% em agosto, mas turismo avança 2,5%

Dados do IBGE mostram estabilidade próxima do recorde histórico, com diferenças entre atividades e crescimento no atendimento às famílias.

3 min de leitura

Setor de serviços recua 0,1% em agosto, mas turismo avança 2,5%

Em resumo

O setor de serviços brasileiro recuou 0,1% em agosto na comparação com julho, informou o IBGE em 14 de outubro. Apesar da variação negativa, a atividade cresceu 0,6% em relação a agosto de 2025. O turismo avançou 2,5% no mês, enquanto os serviços prestados às famílias subiram 2,1%.

O setor de serviços apresentou variação negativa de 0,1% em agosto, na comparação com julho, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços divulgada pelo IBGE em 14 de outubro.

O resultado sucede a estabilidade registrada em julho e o crescimento de 0,1% em junho. Na comparação com agosto de 2025, a atividade avançou 0,6%. No acumulado de janeiro a agosto, a expansão foi de 1,7%.

Mesmo com a pequena retração mensal, o setor permaneceu 19,9% acima do nível de fevereiro de 2020, referência anterior à pandemia, e 0,3% abaixo do maior patamar da série, alcançado em outubro de 2025.

Como se comportou o setor de serviços?

Três dos cinco grupos pesquisados registraram queda na passagem de julho para agosto. O segmento de outros serviços caiu 1%, enquanto transportes e serviços profissionais, administrativos e complementares recuaram 0,2% cada.

Os serviços de informação e comunicação ficaram estáveis no mês. O desempenho mostra que o resultado agregado reúne atividades com trajetórias diferentes.

A leitura do indicador, portanto, exige cuidado. Uma oscilação próxima de zero no total não significa que todas as empresas tiveram estabilidade. Parte dos segmentos cresceu, enquanto outros apresentaram redução do volume de atividade.

Atendimento às famílias foi destaque positivo

Os serviços prestados às famílias cresceram 2,1% em agosto. O avanço foi o segundo consecutivo e acumulou ganho de 2,9% no período, com participação de restaurantes e serviços de bufê.

Esse grupo está mais diretamente ligado a despesas cotidianas e ao consumo presencial. Sua evolução ajuda a observar como a demanda das famílias se distribui entre bens e serviços.

Ainda assim, o resultado de um mês não permite concluir que o consumo seguirá crescendo no mesmo ritmo. Renda, endividamento, preços e calendário de eventos podem alterar o comportamento das despesas nos meses seguintes.

Turismo cresce pelo segundo mês seguido

O índice de atividades turísticas avançou 2,5% em agosto, acumulando 5,5% em dois meses. Esse indicador é calculado separadamente dos cinco grandes grupos da pesquisa.

Com o resultado, o turismo ficou 12,4% acima de fevereiro de 2020 e 1,1% abaixo do recorde de dezembro de 2024.

O desempenho favorável do turismo pode coexistir com a estabilidade do conjunto dos serviços porque os recortes têm composição e pesos diferentes. Por isso, as duas taxas não devem ser tratadas como se medissem exatamente o mesmo universo.

Receita maior não significa necessariamente mais atividade

A pesquisa também mostrou crescimento da receita nominal, enquanto o volume mensal recuou ligeiramente. Essa diferença ajuda a entender uma distinção importante: faturamento em reais e quantidade de serviços prestados não são medidas equivalentes.

Uma empresa pode arrecadar mais porque reajustou preços, mesmo sem ampliar o volume de atendimento. O indicador de volume procura descontar esse efeito para acompanhar a evolução real da atividade.

Para interpretar o momento econômico, a sequência dos próximos resultados será mais informativa do que uma única oscilação mensal. O acompanhamento permite verificar se a proximidade do recorde será mantida ou se haverá uma mudança mais persistente no ritmo do setor.